A prática da coleta seletiva dentro do ambiente universitário deve ser exemplo à sociedade:
o desafio da USP.
Por Ivo Milani
É notório que a problemática do esgotamento dos recursos naturais e da destinação adequada dos resíduos sólidos está na pauta da sociedade mundial. Logo, questões relacionadas ao meio ambiente devem ter forte presença também no âmbito universitário. A universidade deve ter a responsabilidade de ser um bom exemplo de consumo responsável e de gestão correta de seus resíduos.
O aumento da geração de lixo somado ao acelerado crescimento urbano constituem um grave problema socioambiental contemporâneo: padrões de produção e consumo insustentáveis, alterações na paisagem e geração de impactos negativos ao meio ambiente e à saúde pública.
Porém, com um modelo de gerenciamento de resíduos sólidos, onde há interação entre prefeituras, indústrias, grupos organizados de catadores e comunidade, geram-se diversos benefícios de ordem ambiental, social e econômico.
A Universidade de São Paulo – maior Instituição de Ensino, Pesquisa e Extensão do Brasil, com uma comunidade usuária dentre 85mil e 100mil pessoas e com geração de resíduo de proporção equivalente ao seu porte (cerca de 11 ton/dia) – deve buscar excelência na gestão do consumo consciente de materiais e na destinação adequada de seus resíduos (com considerável volume de recicláveis), liderando na prática do conceito de sustentabilidade, sobretudo na capital paulista, onde os índices de participação interna é bem inferior ao esperado.
Com base em informações coletadas, entre 2008 e 2010, com a coordenação do programa de minimização de resíduos e coleta seletiva da USP (o USP Recicla), alguns exemplos de indicadores foram levantados com o intuito de servir como um exercício de avaliação da maneira como algumas unidades/órgãos da USP (Campus Butantã – São Paulo/SP) estão trabalhando para que se tenha uma gestão dos resíduos sólidos adequada. Tais dados foram tabulados e sistematizados, dando origem a um mapa* da reciclagem na cidade universitária.
Portanto, a urgência de um gerenciamento adequado dos resíduos sólidos, com foco na redução do consumo, se faz não somente para sanar o problema do lixo na universidade, mas também para servir de referência para que se possa causar o menor impacto socioambiental possível em cada atividade executada, além de estimular maior reflexão e participação da comunidade interna na busca por novas idéias e soluções, função esta das mais importantes de uma universidade.
*Ivo Milani
Bacharel em Geografia pela Universidade de São Paulo e consultor de projetos sócio-ambientais do Cempre.
*O estudo completo pode ser consultado em:
Milani, Ivo. “Análise e Mapeamento do USP Recicla: Campus Butantã”. Trabalho de Graduação Individual. Geografia – FFLCH-USP. São Paulo, 2010.
Entre em contato com o autor pelo e-mail: ivo_milani@yahoo.com.br
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Publicado 12 de julho de 2012